Amigos rubro-negros, confesso que acho este período um chatice só. Período de Copa do Mundo é igual ao final do ano, quando os meios de comunicação não tem muita matéria para divulgar sobre os clubes e começam a buscar qualquer fio de notícia para preencher os seus espaços, de forma que nunca se sabe o que é fato ou pura especulação.
Em se tratando de Flamengo então, fica praticamente impossível manter negociações sigilosas, ainda mais com a boa parcela de empresários que querem apenas valorizar as suas “mercadorias”. O esquema é simples: o Flamengo sonda um empresário sobre a disponibilidade e interesse em tal jogador. O empresário, muito inteligente, faz com que esta sondagem chegue aos ouvidos da imprensa para que este interesse seja divulgado. A consequência é lógica, pois com a informação do interesse do Flamengo, outros clubes se interessam também e começa o leilão. Por que a negociação com o Zico não vazou? Simplesmente porque foi com o próprio Zico. Portanto, a saída é simples; ao abordar um empresário, o Flamengo deve exigir confidencialidade e informar que se vazar alguma informação sobre o assédio, o Flamengo sai do negócio e ponto final.
É inegável que o anúncio do interesse do Flamengo em Luiz Felipe Scolari para técnico mexeu com o mercado do futebol. Até na África do Sul, focada na Copa do Mundo, a notícia foi tratada como manchete por boa parte da imprensa mundial. Este interesse nos leva a, pelo menos, três questionamentos :
- Nossos últimos treinadores, Caio Jr, Cuca, Andrade e Rogério Lourenço forma muito criticados por boa parte da torcida por não ter experiência compatível para um time como Flamengo. Por outro lado, trazer um técnico experiente como Felipão, Luxemburgo, Muricy ou Paulo Autuori implica num custo elevo de salários ena própria comissão técnica que eles normalmente trazem. Num clube ainda com ´serios problemas financeiros, valeria a pena gastar tanto por um técnico, por melhor que ele seja?
- Como ainda quer tentar oportunidade num grande clube da Europa, onde sua família quer residir, Felipão só deve anunciar sua decisão ao final da Copa do Mundo. Faz sentido aguardar tanto por esta reposta e perder a oportunidade do novo técnico treinar o time para o recomeço do Brasileiro?
Teoricamente, sou contra se pagar tanto por um técnico, por melhor que ele seja, ainda mais com o clube na situação como o Flamengo. Sempre contestei o excesso de importância, a meu ver, que os treinadores têm no futebol atual. O próprio Zico, em sua apresentação na semana passada, relativizou este ponto dizendo que quem decide é o jogador dentro do campo. Por outro lado, no momento em que estamos, praticamente remontando o time, precisamos de um técnico com experiência para poder no curto prazo criar este novo time. Como os principais técnicos estão empregados, nos resta apenas o Felipão para este perfil de treinador.
Um outro fator importante a favor da contratação do Felipão é a carência de liderança que temos no nosso elenco. A menos que contratemos algum jogador com perfil de Fábio Luciano, uma alternativa para suprir esta deficiência e termos um xerifão no banco, com um técnico tipo Felipão.
PLANEJAR AGORA
De toda a forma, seja com Felipão ou um outro novo técnico ou mesmo com Rogério Lourenço, temos que estar cientes que será um grande desafio remontar o time no meio da temporada. Uma coisa é você ter uma base e encaixar dois ou três jogadores, outra coisa é ter que inserir seis ou sete peças num time durante um campeonato, que terá dois jogos por semana. No mínimo, teremos que encaixar dois novos jogadores no time, com a saída da nossa dupla de ataque. Se, além disso, Bruno for para o Milan, um clube alemão fizer proposta por Léo Moura, Kleberson e Fierro forem negociados após valorização na Copa e Álvaro, David e Maldonado com contratos encerrados e não renovados, teremos que repor muitas peças.
O futuro do campeonato brasileiro é totalmente incerto, em função justamente da agitação do mercado. Times vão sofrer baixas enquanto outros se reforçarão. A diferença entre o líder e o décimo-sexto colocado é de 10 pontos, ou seja, praticamente nada quando ainda faltam 93 pontos a serem disputados. Mesmo assim, nosso foco não pode ser montar um time apenas para o restante do campeonato, mas também um time para a próxima temporada. Se der certo agora, ótimo; caso contrário, temos que ter uma base forte para 2011.
Desta forma, sem entrar no mérito dos nomes, o importante nesta reconstrução é planejar corretamente a montagem do elenco. Deve-se avaliar se o perfil do jogador condiz com a nova filosofia do clube; deve-se assinar contrato por um prazo mínimo de 18 meses, de forma que o esforço agora seja válido para a próxima temporada. Não se pode ter tantos jogadores com final de contrato para este época do ano, mesmo com o risco da janela europeia que normalmente tira dois, no máximo três jogadores do time, que podem ser repostos mais facilmente.
Vamos aguardar com paciência o desenrolar das diversas negociações em curso, sem se deixar afetar por esta onda de especulação. Na realidade, os negócios só começam a se encaminhar com o fechamento dos elencos dos times europeus. É na hora da xepa que os clubes brasileiros podem trazer alguém de valor, a menos daqueles que querem voltar do Oriente Médio. Acredito que teremos um bom time, talvez não a seleção que se anuncia, mas se mantivermos a base atual e trouxermos um zagueiro, um meio-de-campo e dois atacantes, podemos remontar este time ainda com aspirações no Brasileiro deste ano.
Saudações Rubro-Negras