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​Flamengo na final: quatro estágios, um susto, fragilidades e desorganização

Em noite de eletrizante Fla-Flu, o ​Flamengo venceu o Fluminense por 3 a 2, no Maracanã, pela semifinal da Taça Guanabara e avançou à decisão do primeiro turno do Campeonato Carioca. O Rubro-Negro confirmou o “favoritismo”, mas em uma sequência de ‘estágios’ viu o Tricolor encostar e ameaçar a classificação após abrir boa vantagem no primeiro tempo (3 a 0). Vale ressaltar que um empate daria a vaga ao Flu.

Avassalador, o Mais Querido teve um primeiro tempo soberano, com muita intensidade, triangulações e um domínio quase absoluto. Em oito minutos, o placar do Maracanã já anotava 2 a 0 – Bruno Henrique, o “Rei dos Clássicos”, e Gabigol marcaram e encaminharam a classificação. O time continuou pressionando e logo no começo da segunda etapa Filipe Luís abriu o 3 a 0.A vitória parecia bem encaminhada e com possibilidades de goleada histórica.

CR Flamengo and Al Hilal SFC Semi-Finals Match - FIFA Club World Cup Qatar 2019

Entretanto, o Flamengo tirou o pé e viu o Fluminense, que não tinha mais nada a perder, arriscar e ir para o tudo ou nada. O Tricolor diminuiu (3 a 1) aos 11’ do segundo tempo e ganhou o gás extra que faltava. Sem muita reação e começando a cansar, o Rubro-Negro caiu muito de desempenho e tomou um susto ao ver (4 minutos depois) o Flu marcar e deixar o Clássico das Multidões em aberto.

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O treinador Odair Hellmann mexeu bem e mudou o desenrolar da partida – a entrada do jovem Fernando Pacheco deu uma nova dinâmica ao confronto. Desligado,o Flamengo foi pressionado e viu o ​Fluminense amadurecer o empate e a virada (o Tricolor teve dois gols bem anulados). Assustado, o Mais Querido se desorganizou completamente e expôs fragilidades.

O Flamengo de Jorge Jesus costuma ser muito frio e busca, acima de qualquer situação, manter a organização técnica e tática, além de tentar sufocar o adversário e ter o controle da bola e da partida. Entretanto, no Clássico das Multidões, o Fla teve problemas em fazer a manutenção do sistema proposto pelo Mister e sofreu, especialmente com a nova dupla de zaga: Léo Pereira e Gustavo Henrique “bateram cabeça”.

Em um primeiro momento, o ex-Furacão e Filipe Luís vão ter dificuldades em atuarem juntos. A sincronia ainda não foi encontrada e o treinador vai precisar compensar a falta velocidade com posicionamento. O retorno de Rodrigo Caio e a melhor distribuição na faixa esquerda devem consertar ou ao menos melhorar tal fragilidade.

Filipe Luís

O clássico também serviu para o treinador observar o nível de intensidade e exposição. O Fla caiu na parte física e isso foi determinante para dar emoção ao confronto. A situação era esperada, afinal, o time teve apenas uma semana de treinamentos e ainda não tem ritmo para segurar os 90 minutos. De todo modo, é um ponto a ser observado pelo português.

Sem a parte física, o Flamengo se desorganizou e ficou totalmente exposto. A entrada de Diego também demonstrou a necessidade de Thiago Maia ficar à disposição o quanto antes. O camisa 10 tem um estilo mais agressivo e não preenche os espaços com tanta facilidade quanto o volante recém-chegado. A alternativa para o meio de campo é interessante, mas perigosa, e Jorge Jesus tem boas e novas alternativas.

Em resumo, o Flamengo foi bem enquanto pôde, embora tenha dado algumas brechas - mérito do Fluminense. Contudo, o time se mostrou exposto e sofreu com a pressão pelos lados do campo. O treinador precisa, desde a temporada passada, observar e reformular o posicionamento do sistema defensivo, considerando, sem acabar com a força ofensiva, um grupo mais concreto.  

Publicado em www.90min.com.