O Flamengo já ergueu uma das nove taças possíveis para o ano de 2020 — a da Supercopa do Brasil. O mantra no departamento de futebol é ir em busca de mais oito, e superar as conquistas de 2019, quando o clube ganhou Estadual, Brasileiro e Libertadores. No entanto, o clube trabalha com os pés no chão em seu orçamento.

Além dos torneios de tiro curto no começo de temporada, com a Recopa Sul-Americana, que será disputada a partir de amanhã no Equador, e na próxima quarta-feira, no Rio, a direção fez projeções animadas, mas precavidas nas principais competições que acabam no segundo semestre.

A única obrigação de título projetada é o Estadual, cuja decisão do primeiro turno o Flamengo disputa no sábado. Na Copa do Brasil e Libertadores a ideia é chegar ao menos às semifinais , e no Brasileiro a projeção é de no mínimo chegar ao vice-campeonato.

A posição conservadora se dá pela necessidade de não contar com o total de receitas de premiação, que saltam consideravelmente em caso de conquista. O principal fator levado em conta para contabilizar os ganhos financeiros é não só a imprevisibilidade, mas a dificuldade de se alcançar o topo em tantas competições diante de um calendário desafiador.

Depois de viajar para Brasília na quinta-feira e jogar no domingo, o Flamengo embarcou para a altitude de Quito ontem, sem Gabigol, suspenso, e Léo Pereira, lesionado. Na quinta-feira, volta ao Rio para a final da Taça Guanabara. O técnico Jorge Jesus ainda não deu indícios sobre a utilização de uma equipe alternativa.

Calendário pode pesar

A possível hegemonia do Flamengo, com a conquista de até nove troféus, foi tratada como uma missão quase impossível para a maioria dos especialistas ouvidos pela reportagem.

— Em algum momento haverá desfalques, inclusive provocado por convocações; aperto de calendário, desgaste, acho bem difícil — argumentou Mauro Cézar Pereira, da “ESPN”.

Para Eugênio Leal, da “FOX”, trata-se de um milagre tamanha façanha.

— O Flamengo está bem acima dos outros no Brasil. Mas ganhar todos os títulos é difícil pois vão aparecer times com mais força, e o calendário é apertado. Ano passado ganhar Libertadores e Brasileiro foi fundamental ter caído na Copa do Brasil. Encarar os três em reta final, por mais que tenha elenco, é difícil. Seria quase um milagre.

Téo Benjamim, que faz sucesso com análises no Twitter, lembrou que quando Guardiola ergueu seis taças em 2009 com o Barcelona já foi algo extraordinário.

— Se você olhar pra cada torneio individualmente, é claro que o Flamengo tem chance de ganhar cada um deles. Ganhar todos é outra história... Precisa juntar muitos fatores. Futebol sempre precisa de alguma dose de sorte. Pra ganhar um, tem que ter alguma sorte (times melhores precisam de menos, claro). Pra ganhar dois, precisa de mais... Pra ganhar 9, tem que ter um alinhamento bem impressionante! — opinou.

Pedro Ivo, editor do “UOL” e comentarista da "ESPN", vê apenas o Corinthians como rival capaz de desbancar o Flamengo em um possível mata-mata.

— Os últimos meses já mostraram que a equipe de Jorge Jesus se propõe a enfileirar taças e entrar para a história. O que leva um time vencedor e superior a sair do trilho das conquistas é uma possível acomodação, algo que esse Flamengo não mostra. Ou quando um concorrente direto se apresenta com força semelhante, algo que também não ocorre por ora. Com uma distância grande para os principais rivais, é difícil imaginar que o Flamengo de Jesus não disputará cada uma das taças citadas. Pode cair num mata-mata? Sim. Mas passar fase a fase nesses torneios é algo completamente dentro do que se projeta atualmente. Seria a regra, não a surpresa.