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Reforços no Corinthians, ideias, queda e elogios ao Flamengo: veja Tiago Nunes no "Bem, Amigos!"

Técnico do Corinthians, Tiago Nunes participou do "Bem, Amigos!" na noite desta segunda-feira, no SporTV, e falou sobre as ideias de jogo que tem tentado implementar no clube paulista. Tiago também fez um panorama sobre o futebol brasileiro, elogiando o Flamengo e lembrando da época de Fernando Diniz no comando do Athletico-PR, justamente seu ex-clube.

Logo de primeira, Tiago foi questionado sobre a queda do Corinthians na Libertadores, na última quarta-feira, na Arena, em Itaquera, para o Guaraní, do Paraguai.

– O tamanho da frustração é do tamanho da expectativa. Estamos tentando implementar uma nova filosofia de trabalho. Tem circunstâncias do jogo que a gente não controla. Jogo da ida foi um jogo onde fizemos por merecer pelo menos um empate. Não fomos competentes. A volta era jogo para quatro, a gente perdeu um jogador aos 28 minutos do primeiro tempo. Sabíamos que jogaríamos no campo do Guaraní. Mesmo com um a menos, tivemos chance. No coração, buscamos, mas não fomos competentes – disse Tiago.

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Veja abaixo outras declarações do treinador sobre assuntos variados:

Estilo de jogo

– Não tem certo e errado. Futebol não tem manual para jogar. O jogo que você propõe depende de movimentações de roteiro, mas de jogo intuitivo, jogadores que interpretem o jogo, não só de manual. Vem com software de manual e não sabe como atuar sem o manual. Jogador é dependente do técnico.

– Eu gosto de jogadores de velocidade, coloco meninos para jogar. Yony, Janderson... O que tenho que buscar é o equilíbrio: jogadores de muita qualidade, Camacho, Cantillo, Luan, e o arco da flecha. A oportunidade de contratar depende da condição financeira do clube.

Comparação com os últimos trabalhos no Corinthians

– Parece que a última memória foi o todo. Se pegar o time do Tite, trocava passes, era muito técnico. O treinador de futebol é do mais alto nível quando consegue transitar em todos os estilos de jogo. Se só joga de um jeito, só vai trabalhar em um lugar. Capacidade de entender o que você tem, contra quem vai jogar e montar uma ideia. Não viria ao Corinthians se não pudesse fazer o que quero fazer. Se era pressão da torcida ou se eu poderia, de fato, ser o treinador. Andrés (Sanchez, presidente do Corinthians) é um cara direto, falou que queria que eu mudasse a maneira de jogar, um time mais ofensivo e que trabalhe com a base. Disse que iria contratar e que eu teria autonomia para trabalhar.

Reforços e estilo de jogo

– Contratação pode ser feita durante a temporada. Em março, abril, maio, tem as janelas. Chegam listas e listas de indicações para nós. O que é mais fácil para o treinador é tirar a culpa. Quero jogador que encaixe nesse perfil. Não quero o Athletico no Corinthians. Estudei a história do Corinthians, conquistas, pessoal que ficou na fila, os títulos mundiais. O que ficou claro nesse processo é ser competitivo, correr no campo. Fomos aplaudidos depois do jogo contra o Guaraní porque corremos e fomos para cima dos caras. A dificuldade é que os jogadores se exponham. Zagueiro para ficar no mano. Isso implica jogar no meio dos caras. Não quero chegar no tiki-taka, quero chegar com qualidade o mais rápido possível. Bola tocada ou lançamento direto.

Trabalho de Fernando Diniz no Athletico

– O que me incomoda é a necessidade de dar autoria para alguém. Trocamos tantas vezes de técnico no Brasil e não adianta dizer que não pega algo do antecessor. O Fernando deu coragem para os caras jogarem. Os caras estavam treinados para ousar. Eu chego e chamo os capitães e indico os caminhos. Colocamos jogadores que não vinham jogando para mudar um pouco da característica. Gosto de ver o que via na arquibancada, chute a gol, verticalização, chegar duro. Casava muito com a ideia do Athletico. Torcida com fator local impressionante.

Elogios ao Flamengo

– A gente acaba tendo dificuldade de admitir a grandeza do rival. "O meu é o melhor do mundo". Na Europa, isso fica mais claro, quais são os times que disputam lá em cima. Se a gente fala em chegar ao G-5, os caras te matam. Mas o Flamengo tem o melhor elenco do futebol brasileiro, continuidade de trabalho, grande técnico e jogadores de maturidade, que já jogaram na Europa, não sentem nenhum jogo. É muito difícil enfrentar o Flamengo hoje. Você ganhar de trabalhos assim é desafiador para o treinador. Ser melhor do que os caras, essa é a essência do jogo. Lá dentro do campo são 11 contra 11. Tem tática, coração, maturidade.

Foco dos jogadores na partida

Saída do Athletico-PR: quem errou?

– As duas partes, inclusive eu. No momento em que começo a receber muitas sondagens, falei de maneira franca que não havia recebido nenhuma proposta. Só que talvez pensando em proteger o próprio clube e minha imagem criada com o torcedor. Eu e Petraglia (presidente) somos duas personalidades duras. Foi um aprendizado. O que eu lamento foi que os interlocutores que construíram nossa conversa não souberam filtrar as informações. Ofereceu proposta abaixo e falei que não queria ficar. Eu disse que queria ficar até o fim do ano e ele fala que não. Como eu não tinha multa rescisória... Era uma oferta de dois anos sem multa. As coisas não fluíram naquele momento. Me tornei torcedor de coração pela sinergia. Errei no sentido de tentar não abordar o assunto, fugir um pouco dele.

O clube que eu iria não era o Corinthians. Naqueles três dias, Corinthians desligou o Fábio e vieram pelo meu agente sondar. Gerou toda aquela especulação, chegaram informações para o Athletico. Batemos de frente.

Publicado em globoesporte.globo.com.