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A ORCA E A FOCA
23 de março de 2022 às 08:27h
Por Ricardo Perez
A ORCA E A FOCA

Sou do tipo de torcedor que não assiste programas esportivos, de nenhum canal, depois de uma derrota do meu clube do coração. E a perda da Libertadores, da maneira que aconteceu, pra mim, foi DEVASTADORA.


Sendo assim, fui obrigado a buscar outras opções televisivas nos momentos de folga. E quando não estou em algum canal de filmes e séries, o Animal Planet sempre surge como uma boa opção.


Pois foi exatamente nesse canal onde assiti o comportamento de uma Orca, diante de uma foca já dominada. Ela não chega e abocanha imediatamente a pobre infeliz. Ela, primeiro, brinca, a joga pra cima, circula em torno dela, vai empurrando a vítima com o bico, e faz isso durante um bom tempo, antes de consumar seu objetivo. 


Pois foi exatamente dessa cena que me lembrei no segundo tempo do nosso jogo de Domingo. O Flamengo brincava de dois toques, se limitava a fazer a bola circular, enquanto nosso adversário assistia, conformado com seu destino e até satisfeito com o fato de não estarmos nos esmerando muito em tornar sua derrota ainda mais impactante.


Entendo a insatisfação de alguns dos nossos torcedores, por não termos nos esforçado mais por um placar maior. Mas o fato é que, hoje em dia, a distância que nos separa é TÃO significativa, que poderíamos acabar é sendo acusados de Covardia.


Enquanto nós, cada vez mais, nos solidificamos no topo das Américas, eles lutam para se manter na primeira página da Segundona. É uma luta TÃO desigual, que nem mesmo com os milhões deste investidor que está comprando o clube (será que vão mudar de nome?), o cenário atual será modificado no curto prazo.


Na realidade, se no âmbito Nacional já é difícil encontrarmos adversários de um nível semelhante ao nosso, no Rio de Janeiro, só mesmo a rivalidade dos Clássicos Regionais pode dar alguma emoção para as disputas. E é aí que entra o nosso provável adversário da final, que, ultimamente, vem se tornando uma pedra no nosso sapato.


QUANTAS vezes vocês já viram esse mesmo filme, que vem sendo passado nos jogos contra eles? Dominamos as partidas inteiras, desperdiçamos uma série de oportunidades e aí, no finalzinho delas, a gente comete algum erro individual, ou de posicionamento, e eles fazem o gol que lhes dá a vitória.


Ok, ok, nos jogos em que realmente valia alguma coisa, como na final do Carioca ano passado, quem ficou com o caneco fomos nós. Mas, e nas demais partidas de lá pra cá? Embora em futebol tudo seja possível, a situação parece se encaminhar para um novo Fla-Flu nas finais. A terceira consecutiva contra eles e a inédita quarta no âmbito Estadual.


Para não desperdiçarmos essa oportunidade, primeiramente, precisaremos driblar esses 10 dias sem compromissos a vera. Que nossos jogadores me perdoem, mas não gosto nem um pouco de vê-los com tempo, digamos, “livre demais”. O que costuma acontecer nesses períodos é um desgaste ainda maior até do que nos mais puxados treinamentos.


E o segundo drible necessário será na falta de pontaria, excesso de preciosismo, ou de egoísmo. Nessa dezena de jogos, desde o início da temporada, é compreensível que a pontaria não esteja totalmente precisa e até mesmo que nossos craques que chegaram mais recentemente sejam mais fominhas, na ânsia de mostrar serviço. Só que toda essa “compreensão” não valerá para as finais.


Nosso treinador chegou com idéias pré- estabelecidas, tenta fazer com que nossos jogadores as assimilem, tem operado uma mudança RADICAL na nossa forma de jogar e, mais do que tudo, tirou nossos jogadores de uma zona de conforto. Isso pode ser muito bom ou muito ruim, dependendo do tempo que vai levar para que os resultados apareçam.


Nossa torcida passa LONGE de ter a paciência como uma de suas virtudes e, de agora até o final do ano, não teremos mais partidas que nos permitam grandes experiências. Nosso elenco é, DE LONGE, o mais forte do país e não vamos aceitar calados passar este ano sem grandes conquistas, como aconteceu no ano passado.


Portanto, é bom que o desempenho comece a melhorar, a rotação de jogadores e os novos esquemas comecem a dar liga, o futebol apresentado comece a agradar aos torcedores, e os resultados comecem a aparecer. Pois, caso contrário, a pressão vai aumentar MUITO e a gente sabe muito bem onde isso vai dar.


PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!

Escrito por Ricardo Perez

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