Jornalista venezuelano analisa pontos fortes e fracos do Táchira, primeiro adversário do Flamengo na Libertadores

O repórter realizou uma análise detalhada sobre os aspectos positivos e negativos do atual campeão venezuelano, destacando quem é o principal jogador da equipe e o esquema tático preferido do treinador Edgar Pérez Greco. Ademais, a Coluna questionou a razão pela qual a partida do último sábado (22), entre Táchira e La Guaira (VEN), que valia a taça da Supercopa, contou com um público reduzido. No entanto, Ñambre assegurou que o Estádio Pueblo Novo estará lotado para assistir ao Flamengo.

“O jogo da Supercopa da Venezuela, que ocorreu pela primeira vez na história e consagrou La Guaira como campeão, não gerou tanto entusiasmo entre os torcedores do Deportivo Táchira, pois foi realizado durante a rodada dupla da FIFA (Eliminatórias da Copa) e as pessoas estavam mais atentas ao desempenho da seleção da Venezuela do que ao seu clube, que enfrentou a partida com algumas ausências. Para o confronto com o Flamengo, deve ser diferente, uma vez que é um time de grande tradição e os torcedores do ‘Carrusel Aurinegro’ apreciam o bom futebol”, explicou o jornalista venezuelano.

“Por isso, acredito que haverá um público consideravelmente maior nas arquibancadas durante a Copa Libertadores. É possível que o jogo ocorra com o estádio lotado, embora a situação econômica que meu país atravessa também influencie, já que o poder de compra diminuiu e alguns torcedores priorizam determinados jogos em detrimento de outros. O certo é que a partida contra o Flamengo é uma das mais atraentes para os fãs e, por isso, acredito que milhares de pessoas estarão presentes no Pueblo Novo, um local que já sediou jogos da Copa América em 2007, que, por sinal, foi vencida pelo Brasil”, acrescentou Ñambre.

De acordo com Ñambre, o treinador Edgar Pérez Greco não costuma manter um esquema tático fixo. Apesar de preferir o 4-4-2, o Táchira apresenta variações durante os jogos. Além disso, a equipe venezuelana prioriza a defesa e gosta de congestionar o meio-campo, com o intuito de dificultar a troca de passes dos adversários.

“É uma equipe que não se apega a um sistema rígido, mas frequentemente utiliza o 4-4-2 para garantir maior solidez defensiva. Em determinados momentos, pode alterar para 4-2-3-1 ou 3-5-2, mas isso depende da situação que se apresenta na partida. O técnico Edgar Pérez Greco não é adepto de um esquema tático fixo, mas busca aquele que lhe proporcione maior solidez defensiva e facilite a criação de jogadas, por isso procura fortalecer o meio-campo. Quando possui a posse de bola, também pode adotar um 4-3-3, mas nunca negligencia a defesa”, destacou.

Na atual edição do Campeonato Venezuelano, o Táchira possui a segunda melhor defesa da competição, com apenas quatro gols sofridos em oito jogos. Ñambre ressalta que este é o ponto forte da equipe. Em contrapartida, o ataque é o menos eficiente entre os seis primeiros colocados da liga local, com nove gols marcados. O jornalista também destaca a baixa precisão ofensiva do time, que ocupa a segunda posição, com quatro vitórias, três empates e uma derrota.

“Como analista, posso afirmar que suas forças estão na defesa e no meio-campo. É uma equipe que tende a controlar bem a bola, mantendo-a longe de sua área e iniciando ataques de forma gradual. Até agora, este clube, dirigido por Edgar Pérez Greco, demonstrou que a estratégia de manter solidez na defesa foi eficaz, pois sofreu apenas quatro gols em seus primeiros oito jogos do Torneio Apertura 2025 da Liga FUTVE. Nesse torneio, o conjunto andino ocupa a segunda posição na tabela, atrás do Deportivo La Guaira, seu algoz na Supercopa da Venezuela. Ambos somam 15 pontos, mas El Naranja lidera a classificação por diferença de gols”, relatou.

O ponto fraco do Deportivo Táchira é sua linha ofensiva, que ainda não demonstrou uma eficácia contundente no campeonato. Apesar de ter marcado um número razoável de gols (9), em nenhuma de suas apresentações se configurou como uma máquina de ataque e, de fato, é uma equipe que cria várias oportunidades de perigo, mas converte poucas. Esse aspecto precisa ser corrigido, pois no torneio mais importante da CONMEBOL, não há margem para erros e, sem dúvida, errar finalizações em chances claras pode ser o fator decisivo entre a eliminação ou a permanência na disputa”, acrescentou.

“Sem dúvida, Maurice Cova é o nome a ser destacado. Ele é um meio-campista de características defensivas que se estabeleceu como o pilar do clube nesta década, graças à sua liderança e dedicação em campo. É ídolo da torcida e, ao mesmo tempo, o líder do Deportivo Táchira em uma fase vitoriosa, possuindo quatro títulos com essa instituição. Foi eleito o Melhor Jogador da Liga FUTVE em 2023 e 2024 nos prêmios El Mundo Es un Balón. Foi convocado por Fernando Batista para representar a Venezuela na rodada dupla da FIFA”, afirmou.

“Basicamente, o mesmo núcleo formado por Eduardo Saragó, o técnico que antecedeu Pérez Greco no Deportivo Táchira, foi mantido. Trata-se de um elenco que joga junto há aproximadamente três anos e se conhece bem em campo. Em 2024, a equipe não teve um bom desempenho no Torneio Apertura, mas se reencontrou no Clausura e conquistou o título, além do título absoluto da temporada. Jogadores como Roberto Rosales, ex-destaque da seleção da Venezuela, que chegou no ano passado e aprimorou o conjunto, também contam com a contribuição de estrangeiros como os argentinos Lucas Cano, Mauro Maidana e Leandro Fioravanti. Em essência, é um grupo com experiência a nível doméstico que busca levar o sucesso da FUTVE para a Libertadores”, completou.

“Para os torcedores, especialmente aqueles que entendem de futebol venezuelano, foi uma grata surpresa saber que o Táchira enfrentará equipes com tradição vencedora, como Flamengo e LDU de Quito, que já foram campeãs da Libertadores – um troféu que nenhum time venezuelano conquistou até o momento. Obviamente, tanto a diretoria quanto os jogadores do Táchira estão cientes de que o grupo será desafiador, pois também está presente o Central Córdoba. Portanto, espera-se que o clube venezuelano busque resultados positivos em casa, a fim de ter chances de avançar para a segunda fase, considerando as visitas complicadas que terá. O certo é que é um grupo que exige muito e testará a qualidade de um elenco acostumado a competir neste evento internacional.”

“A missão do Deportivo Táchira é se destacar neste torneio. Há algum tempo, os times venezuelanos não têm sido competitivos na Libertadores, o que não condiz com os tempos atuais, nos quais o país se destacou por exportar vários atletas para ligas estrangeiras, como o Brasil, onde Jefferson Savarino e Yeferson Soteldo brilharam no Botafogo e Santos, respectivamente. É um clube histórico que possui 11 títulos de liga (sendo o segundo mais vitorioso da Liga FUTVE, atrás do Caracas, que tem 12 títulos) e sua obrigação é lutar para avançar de fase. De fato, seus torcedores esperam que, pelo menos, possa igualar o que foi feito em 2004, quando, sob a direção de César Farías, o Carrusel Aurinegro chegou às quartas de final, sendo eliminado pelo São Paulo, liderado por Grafite, Luis Fabiano e Rogério Ceni. Esta é uma oportunidade para que o clube se destaque na competição continental e reafirme seu bom momento, que inclui conquistas em três das últimas quatro Ligas FUTVE (sendo campeão nas temporadas 2021, 2023 e 2024).”

“Na Venezuela, estamos cientes de que o Flamengo tem sido a grande equipe sul-americana dos últimos cinco anos, pois atingiu três finais e conquistou duas, totalizando três títulos. Por essa equipe passaram jogadores lendários como Zico, Bebeto e Romário, entre outros, e atualmente é liderada por Nicolás de La Cruz, que é um titular indiscutível da seleção uruguaia, onde também atua outro de seus astros, Giorgian De Arrascaeta. Além disso, conta com Alex Sandro, que teve uma passagem marcante pela Juventus. É um clube que deve lutar pelo título mais uma vez.”

Publicado em colunadofla.com

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